Transborda

Na década de 1960, Simone de Beauvoir publica o livro O Segundo Sexo. Nele discute a hierarquia dos sexos e a construção social não como uma questão biológica, mas sim, fruto de uma sociedade patriarcal. Este livro passa a influenciar os movimentos feministas da época, que desde 1840 lutavam por direitos iguais entre homens e mulheres. Muitos dos movimentos ainda lutam contra esse modelo de sociedade.

Recentemente foi lançado um documentário sobre Femen, chamado Ucrânia não é um Bordel. Surgiram diversas matérias com a sinopse e em uma destas o jornalista fez uma longa reflexão a respeito do movimento. Ele conta que no início o Femen era idealizado e liderado por um homem. O que me pareceu muito estranho foi saber que um movimento contra o modelo de sociedade patriarcal era baseado em um modelo patriarcal, hoje liderado somente por mulheres. Estas são magras, jovens e lindas, aparecem em atos com seios à mostra, com frases pelo corpo - uma tentativa bem sucedida de chamar a atenção da mídia internacional. Lutam contra a exploração da mulher, contra o uso do seu corpo como objeto sexual, entre outras coisas.

O ideal do corpo feminino está tão profundamente enraizado que um dos mais significativos grupos feministas da atualidade insiste em reforçar os seus valores. Assim como em um retrato no qual imitamos sempre as mesmas poses, reforçando o estereótipo de como devemos nos portar, como devemos ser, nos vestir e falar.

Será que existe uma necessidade em ser aceita, mesmo sem concordar com os padrões sociais?

A partir desta reflexão faço um vídeo no qual uma imagem 3x4 minha, é colocada em um aquário redondo com um água. A ação é repetida, e diversas cópias são colocadas neste recipiente.

A repetição reforça a ideia do estar dentro, pertencer e fazer parte de algo.

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